terça-feira, fevereiro 28, 2006

Todos diferentes... todos iguais!!

Estou cada vez mais integrado no dia a dia de Madrid. Agora até os "atascos" comeco a frequentar, pois este nao e um exclusivo nem de Portugal nem de lado nenhum no mundo.

Ontem passei 2 horas a caminho de casa. Nao me perguntem o que se passou (normalmente e na pior das hipoteses tenho demorado 1 hora e meia) pois nao deu para perceber. Sei que ha obras por todo o lado pois eles nao se contentam com a mega rede de metro que ja tem e ainda querem melhor. Ha exemplos que eram bons de seguir.

Para nao me poder queixar de saudades do transito, hoje de manha demorei hora e meia quando costumo ficar me pela hora. Ou seja, parece que isto nao esta a melhorar. Tenho de comecar a arranjar coisas para fazer nas viagens que nao passem por fechar os olhos e pensar como seria o mundo se o vissemos como o Joao Cesar Monteiro na sua Branca de Neve (apesar de nao ter visto o filme, fica a homenagem).

Durante o longo percurso efectuado por estas estradas fora, pude ir saciando a minha curiosidade em relacao a visao espanhola do seu pais e do nosso, atraves de uma "breve" conversa com uma das poucas que tenho conhecido.
Bem sei que nao anima ninguem mas a deslocalizacao de empresas nao e exclusiva de Portugal (repito estas apreciacoes pois acho que por ai temos sempre a mania que o que acontece de mau a nossa volta se restringe as nossas pessoas, como se uma nuvem num ceu completamente limpo nos acompanhasse para onde quer que fossemos). O que este facto tem implicado e que as pessoas sejam obrigadas a sair das suas cidades para procurar emprego onde este estiver. Falo em emprego ou trabalhos temporarios, nao me alongando muito pois nao e esse o tema que me interessa abordar agora.
Parece me que ainda e uma realidade que me parece distante da nacional, uma vez que ai deverao existir casos semelhantes mas que sao encarados como mais definitivos. Aqui denoto uma certa duvida nas pessoas, que entretanto encontraram ocupacao, sobre o que fazer (devido a faixa etaria das pessoas a que me refiro): comprar uma casa junto ao actual emprego ou proximo das suas origens, pois nao sabem quao precaria pode ser a sua situacao actual.

Alem disso, o descontentamento em relacao aos politicos vai me parecendo algo cada vez mais universal. Nao sei se existe uma crise propria nos estados em que a democracia vai ganhando corpo ha alguns anos (afinal a nossa historia recente nao e assim tao diferente) ou se e algo extensivel a todos os paises em que as pessoas que atingem relevancia politica sao cada vez menos as mais adequadas a exercer esses mesmos cargos. Por alguma razao falta actualmente uma nocao de identidade europeia existindo um vazio relativamente a ideais a perseguir. O problema acentua se quando nao aparece ninguem que se mostre capaz de alterar essa situacao a curto prazo.

Como nao tenho historias novas com interesse suficiente para serem contadas, comeco a divagar sobre muita coisa... politica... quem diria!!!!

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Distancia relativa!!!

Mais um fim de semana se passou por aqui.

Novidades nao ha assim tantas e diferencas culturais ainda menos, afinal estamos apenas a cerca de 600km (espero nao estar enganado pois tudo e relativo) da capital de Portugal.

Posso comecar por salientar por ter apanhado o meu primeiro grande banho de neve, pois sempre fui uma pessoa de climas quentes e nunca o havia experimentado. Posso vos dizer que nao tive oportunidade de dar largas a minha veia artistica na criacao de bonecos pois o frio e muito e a isso nao convida. Mais ainda pelo avanco das horas a que ocorreu tal temporal.

Comeco cada vez mais, e ainda nao estou aqui ha 1 mes sequer, a perceber o estado de espirito dos emigrantes. Imagino que este se multiplique por muitos ha medida que o tempo vai passando.
Ontem passei por um dos 2 ou 3 momentos que mais nos leva a recordar o pequeno canto a beira mar plantado que e o nosso pais: nao sendo nenhum concerto de qualquer artista vindo desse pedaco de territorio, seja de musica pimba, rock ou classica (nao tive oportunidade de ir assistir ao concerto de Maria Joao Pires pois so soube dele demasiado tarde) so me posso estar a referir a um jogo de futebol tao absorvente como o foi o de ontem. No sentido em que estavam envolvidas 2 equipas que abrangem a maioria dos presentes directamente e indirectamente os restantes. Penso que so podera ser ultrapassado pelos desafios da seleccao durante o proximo mundial. E um dos momentos em que os conterraneos se juntam e que nos permite transportar para casa durante 1h 30m. As distancias aproximam-se e esquecem se durante breves momentos.

Para confirmar que se trata de uma realidade universal bastou me ter passado por um Irish Pub durante um jogo de futebol do Man. Utd. Repleto de ingleses, presumo, que se tinham deslocado a Madrid para assistir ao jogo dos ingleses na passada 3a feira aqui e que aproveitaram ainda para ir assistir in loco a uma partida da 2a divisao espanhola. Tambem se fazem ferias futebolisticas por ai.

Tinha previsto aproveitar este fim de semana para aprofundar os meus conhecimentos artisticos e passar um pouco pelos Museus, mas ainda nao foi desta. De certa forma, tenho esperado por visitas pois e das coisas que ninguem perde quando por ca passa. Estes sao uma das coisas que se destaca; sao os dignos representantes do que e um museu que atrai milhoes de pessoas a uma cidade. Torna se um dos seus simbolos e um iman para os cidadaos sequiosos de cultura e historia artistica.

E pronto, por aqui continuarei mais uns tempos mas por agora nada mais acrescento...

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Tortura colectiva... que chegue o fim de semana

Viver numa residencia espanhola tem as suas vantagens mas tambem tem as suas desvantagens. Ontem fizeram la em casa a primeira festa Erasmus a que assisti desde que estou na terra de nuestros hermanos.

Digam la se nao e tortura pensar que todos os que la estavam iam sair e divertir se ate as tantas sendo eu praticamente o unico que ia trabalhar no dia seguinte as 9h da manha?!!!!!

No meio da festa, la me foi apresentado um brasileiro carioca a 100%. Conversa para ca, conversa para la, sempre da para nos sentirmos mais em casa a falar a nossa lingua. Mas a questao que se coloca e que nestas festas comeca se a conhecer as pessoas sempre pelo: "De onde es?", "Sou o nao sei quantos vindo nao sei de onde!". Adivinhem qual o que acontece no meio de uma festa internacional quando se encontram um portugues e um brasileiro rodeados de estranjas? Claro que se torna rotineiro o pedido de: "Falem la!!! Queremos perceber a diferenca entre o portugues de Portugal e do Brasil", "Digam qualquer coisa!", "O que pensam uns dos outros!". E um prazer esclarecer estas pessoas mas quando estamos a falar de um evento em que falas com mais de 10 pessoas diferentes, uma a uma, comeca a ser um pouco repetitivo arranjar conversa a pressao para satisfazer as curiosidades linguisticas alheias.

Das coisas mais interessantes que tenho visto por aqui e a variedade de origens das pessoas que por ai andam, nao deixando de notar a predominancia de americanos a procura de tentar entender a lingua que mais se deve falar no sul do seu pais, italianos a conviver com italianos para aprenderem espanhol e franceses que sempre vao fazendo um esforco nao perdendo, no entanto, o sotaque tipico de um frances a falar seja que lingua for.

E pronto, aguardo o fim de semana para acabar com o martirio de nao me autorizar a sair a semana (por enquanto...) juntamente com toda a gente com quem partilho casa.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Noticias de outro mundo... mas nao muito

Pois ontem tive a minha primeira experiencia que os emigrantes tugas costumam designar como significativa e digna de nos fazer relembrar a capital do imperio: ou é um concerto de musica pimba, que nao e o caso pois disso nao deve haver por aqui, ou entao a visualizacao de um jogo de futebol de uma equipa portuguesa (nao ao vivo, infelizmente!) junto dos locais.

Peco desculpa, porque de locais havia poucos. Parecia que estava num qualquer bar irlandes em espanha a ver futebol entre portugueses e ingleses rodeado de tugas. Havia a cerveja, os palavroes, os nomes ao arbitro e ainda mais palmas (devido a ma qualidade do jogo) a saida do Beto do que ao proprio golo que chegou depois.

Sao estes momentos que nos aproximam do nosso outro mundo. Sim, outro mundo pois deixar praticamente tudo, desde familia, amigos, casas, praias, comidas, rotinas, empregos, etc. para partir para um qualquer outro sitio deste planete e como se fosse saltar para um outro mundo num universo distante. Bem sei que essa distancia poderia ser maior como o devera testemunhar nosso companheiro de viagem Eng. Miguel por terras orientais, mas ja me contento com esta experiencia.

O que provoca uma certa confusao acaba por ser a mistura dos dois mundos num so, num momento em que se tocam coisas, pessoas ou rotinas numa mesma dimensao.

Apos a visita de 2 personagens vindas de Lisboa, parece que houve uma invasao da casa do Big Brother onde vivo agora (apenas se diferencia pela dimensao e pela quantidade de pessoas pois tambem nao me deixam sair daqui e estarei aqui por muitos meses). Sao sensacoes interessantes que acabam por aproximar as duas realidades e mostrar que afinal o mundo de cerca de 40000 km de perimetro nao e assim tao grande.

Por alguma razao temos tugas por todo o lado... Ou somos um povo da aventureiros ou realmente as distancias enganam.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

15 dias na "casa" do vizinho

Pois e,

Aqui estamos nos nesta terra de nuestro hermanos.

E eu a pensar que isto era longe, qual nao e o meu espanto quando acabado de levantar voo ja estava a caminho de terra. Minhas ricas viagens pelo nosso pais, tipo acores ou madeira que se estendem por 2 horas e ja parecem curtas.

Como ja comeco com um atraso de 3 semanas, vou resumindo um pouco as coisas para nao cansar quem quer que venha a ler isto.

Tive a felicidade de ser recebido no aeroporto por Mr. Manuel, acabado de chegar de suas viagens de negocios por esse fria europa fora.

Cravei uma camita em sua casa, ao que tao digno senhor acedeu simpaticamente. Na minha estadia nesse humilde lar ainda fui descobrindo os seus dotes culinarios, que me foram surpreendendo positivamente.

Pelo contrario, os dos nossos irmaos de Madrid, nao me tem convencido de maneira nenhuma, pois na sua grande maioria baseiam se no aproveitamento do tao belo oleo para fritar ou entao do rico animal que e o porco e seus enchidos. Para quem se "queda" por aqui uns 3 dias ate se pode dizer que e bastante agradavel mas para quem tem a perspectiva de por aqui andar 9 meses torna se assustador.

Fui no domingo passado ver o filme Munich, do tao aclamado realizador Steve. Nao e que o filme seja mau ou espectacular, apenas o refiro pois houve uma ideia que nele passou que me disse muito: varias vezes repetiram tanto do lado dos palestinianos como dos israelitas que "Nao ha nada como a nossa casa, o nosso lar, a nossa terra." Pois apesar de tao bela recepcao que tive, nao estaria bem enquanto nao encontrasse uma casa para ficar e poder desfazer as malas. Ao fim de 15 dias consegui satisfazer tao aguardado desejo.

Neste momento, estou a viver a cerca de 150m do ponto 0 da maioria das autopistas de espanha. Penso que se pode dizer que consegui o que queria: um poiso perto do centro da cidade. Por variadas razoes das quais destaco a proximidade a vida cultural, ao movimento urbano e a "movida" tao caracteristica deste pais.

Pois esse e um dos pontos que mais confusao faz pela diferenca que tem com "nosotros", os tugas. Nunca, senao no ultimo dia da Expo 98, que nao posso considerar como normal, poderia imaginar o metro de Lisboa cheio por volta da 1h da manha com pessoas de todas as idades e feitios. Aqui, simplesmente esse e um dado tao adquirido todos os fins de semana como o da saida do jornal Expresso aos sabados nessa bela terra.

Voltando a minha nova casa, tive ainda a sorte de seguir o dizer popular: em Roma se Romano, em Madrid nao deixes de ser espanhol. Apesar de nao saber a origem da expressao "Albergue" Espanhol e nao poder perceber se se referia a um grupo de intrusos vindo de todos os lados, menos do proprio pais, a viver numa so casa, assumi que assim era e imitei o rapazola estrela de filme tao conhecido com o mesmo nome.

Estou a falar de 3 francesas, 2 holandeses e 1 americano, ate Julho, a viver numa mesma casa. Ja estao a ver no que isto da se tivermos em atencao que todos estao a fazer Erasmus, e todos nos sabemos do que isso se trata.

Tem a sua piada entrar em casa e nunca saber quem anda por la, pois o entra e sai tanto dos seus habitantes como dos seus amigos e bastante intenso. O primeiro contacto com esta realidade, tive o no primeiro dia que estive por la. Deparei me com um par de raparigas americanas caidas do bolso do Arvin, americano de origem Iraniana (ironico nos dias de hoje, nao?). Uma das coisas que tenho curiosidade e vontade de fazer e alterar a imagem que tenho dos americanos, imposta pelos filmes que eles proprios fazem questao de publicitar. No entanto nao foi desta vez, porque se ha pessoas que encaixavam nesse desenho, as 2 citadas raparigas eram o melhor exemplo disso. Nao me querendo alongar muito sobre este tema, deixo ao vosso criterio uns minutos de pensamento sobre isso e numa futura discussao o esclarecimento sobre a nossa partilha de ideias sobre o tema.

No fim de semana passado, tive o meu primeiro contacto com o admirado mundo da decoracao, que ate entao simplesmente me era distante e sem interesse, nao fora a multidao de pessoas que todos os dias se deslocam a tao famoso local. Iniciei me pelo icone dos icones do mundo moderno na area: o IKEA. De certa forma, posso dizer que ate percebo o seu encanto, principalmente quando apenas tive um vislumbre do mesmo e se gosta do resultado final. Dir me ao no futuro se sou o unico a ficar contente com o cenario derradeiro.

Nao tendo grandes historias de contraste de culturas, como predominancia de gatos nas ruas por ser um animal sagrado no pais (made in Tunis) ou de vacas (made in India, segundo ouvi dizer), apenas me saltou a vista a imensidao de cabeleireiros que existe por estes lados. Nao sei se sao muito cabeludos, pois nao foi essa a impressao que tive nas vezes que avaliei as pessoas no metro, ou se apenas gostam de ir cortar o cabelo pelo acto social que representa.

Fica o misterio por responder num futuro Post...